Desde que descobri que tenho TDAH, comecei a entender muitos aspectos da minha vida que antes pareciam desconexos — especialmente o sono. Sempre achei que era apenas “noturna”, que funcionava melhor quando o mundo dormia.
Mas com o tempo percebi que o problema era mais profundo: os TDAH sintomas e sua relação com o sono estavam completamente entrelaçados.
O TDAH não afeta apenas a concentração e o foco. Ele mexe com o nosso corpo, nosso ritmo biológico e a forma como o cérebro “desliga”. Dormir, para quem tem TDAH, muitas vezes se torna um desafio constante, uma luta entre cansaço extremo e uma mente que simplesmente não para.
1. A mente que não desliga: quando o TDAH invade as noites
Lembro perfeitamente das minhas noites em claro. Eu me deitava exausta, mas bastava apagar a luz para que os pensamentos se multiplicassem. Era como se o silêncio amplificasse tudo o que estava na minha cabeça: ideias, planos, arrependimentos e até listas de tarefas.
Com o tempo, percebi que isso não era apenas insônia comum. Era o reflexo direto dos TDAH sintomas e sua relação com o sono. O cérebro hiperativo não sabe desacelerar. Ele se mantém em alerta constante, buscando estímulos mesmo quando o corpo implora por descanso.

Muitos adultos com TDAH relatam exatamente essa sensação: o corpo cansado, mas a mente em modo turbo. Isso acontece porque o transtorno afeta neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, fundamentais para regular o ciclo sono-vigília.
Na prática, isso significa que é mais difícil “desligar o botão” ao final do dia. É comum:
Demorar horas para adormecer, mesmo exausto.
Acordar várias vezes durante a noite.
Ter sonhos intensos e sensação de sono leve.
Acordar cansado, como se não tivesse descansado nada.
Por muito tempo, eu tentei resolver isso com café de manhã e remédios naturais à noite. Mas o problema não era apenas físico — era comportamental e neurológico. Eu precisava aprender a desacelerar o cérebro, não apenas forçar o corpo a dormir.
Com o tempo, percebi que o sono e o TDAH funcionam como um ciclo vicioso: quanto mais mal dormimos, piores ficam os sintomas no dia seguinte. A falta de descanso potencializa a desatenção, a irritabilidade e a impulsividade. E, ironicamente, esses sintomas dificultam ainda mais pegar no sono à noite.
2. Quando o sono afeta a rotina e o emocional
Viver com TDAH sintomas e sua relação com o sono é sentir os efeitos durante o dia inteiro. A privação de sono não se limita ao cansaço; ela afeta diretamente o humor, a produtividade e a percepção de tempo.
Eu comecei a perceber que meus esquecimentos e lapsos de foco pioravam drasticamente depois de uma noite mal dormida. O TDAH, por si só, já torna difícil organizar pensamentos. Com sono ruim, essa dificuldade triplica.
Além disso, existe um fator emocional muito forte. A insônia constante traz frustração. Eu me sentia incapaz de fazer o básico: dormir. E essa sensação de falha gerava ansiedade, o que, claro, piorava tudo.
Com o tempo, isso começou a afetar meus relacionamentos. Eu acordava irritada, impaciente e distraída. Pequenas tarefas pareciam montanhas. E, no fim do dia, a culpa batia — o famoso “ciclo do TDAH”: culpa, tentativa de compensar, exaustão, nova noite sem sono.
Estudos mostram que pessoas com TDAH têm três vezes mais chances de desenvolver distúrbios do sono. Entre os mais comuns estão:
Síndrome das pernas inquietas (dificuldade em relaxar antes de dormir);
Insônia crônica;
Atraso de fase do sono, quando o corpo naturalmente “prefere” dormir e acordar mais tarde;
Apneia do sono, em alguns casos.
Entender isso foi transformador. Eu parei de me culpar e comecei a me observar. Notei que o meu padrão era sempre o mesmo: muita energia à noite, dificuldade em manter rotina matinal, e uma constante sensação de cansaço mesmo dormindo várias horas.
Foi quando percebi que eu precisava respeitar meu corpo e criar estratégias para driblar esse padrão — sem lutar contra o meu próprio cérebro.
3. Guia prático: como dormir melhor com TDAH
Ao longo dos anos, aprendi algumas estratégias que realmente mudaram a forma como lido com o sono. Nenhuma delas é mágica, mas juntas transformaram minha qualidade de vida.
1. Criei uma rotina de desligamento
Em vez de tentar dormir “de uma vez”, comecei a criar um ritual noturno. Luzes baixas, nada de telas e uma música calma de fundo. Isso sinaliza ao cérebro que está chegando a hora de desacelerar.
Essa transição é essencial para quem tem TDAH, porque ajuda o corpo a sair do estado de hiperfoco e entrar no de descanso.
2. Uso da luz a meu favor
Evito luz branca e telas pelo menos 1 hora antes de dormir. A luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio do sono. Passei a usar luz amarelada e, às vezes, velas aromáticas. Parece simples, mas mudou tudo.
3. Exercícios físicos no horário certo
Descobri que treinar à noite me deixava mais alerta. Então mudei meus treinos para o período da manhã ou início da tarde. O exercício ajuda a regular os hormônios e melhora o sono, desde que feito no momento certo.
4. Meditação e respiração
Comecei com 5 minutos por noite, apenas focando na respiração. Para quem tem TDAH, a mente foge o tempo todo — e tudo bem. O segredo é perceber o pensamento e voltar para o presente, sem julgamento.
A meditação me ensinou a desacelerar, algo que eu jamais pensei ser possível.
5. Evitar compensações
Antes, eu tirava longos cochilos durante o dia para compensar o sono perdido. Isso só piorava o ciclo. Hoje, mesmo cansada, tento manter horários fixos. O corpo aprende a reconhecer padrões quando somos consistentes.
Com o tempo, percebi que dormir bem é tão terapêutico quanto qualquer remédio. E não é sobre “dormir mais”, mas sim dormir melhor. A diferença é enorme.
Um conto real: a virada de Laura
Laura é uma amiga que, assim como eu, descobriu o TDAH já adulta. Ela sempre foi extremamente criativa, mas vivia exausta. Passava madrugadas acordada, mesmo tentando dormir cedo. Quando finalmente deitava, o cérebro dela parecia um palco iluminado — ideias, preocupações e lembranças todas se misturando.
Durante anos, ela acreditou que era apenas “notívaga”. Até que, em uma consulta com uma neurologista, ouviu: “seu problema não é o sono, é o TDAH”.
Foi aí que tudo mudou. Laura começou terapia, ajustou a medicação e criou uma rotina de sono rigorosa. Passou a usar alarmes para dormir (não só para acordar), adotou rituais noturnos e eliminou o celular do quarto.
Em três meses, a transformação foi visível. A produtividade aumentou, as crises de ansiedade diminuíram e, pela primeira vez em anos, ela acordava descansada. “Dormir virou meu novo superpoder”, ela me disse certa vez.
Conclusão: o descanso também é parte da cura
Compreender os TDAH sintomas e sua relação com o sono foi um divisor de águas na minha vida. Antes, eu tentava controlar o TDAH apenas durante o dia — com foco, listas e produtividade. Mas entendi que tudo começa à noite.
O sono é o momento em que o cérebro se reorganiza. É quando as ideias encontram espaço e a mente hiperativa, finalmente, repousa.
Hoje, dormir bem se tornou uma prioridade, não um luxo. É um ato de autocuidado e respeito pelo meu próprio ritmo.
E se você vive algo parecido, saiba que não é preguiça, não é falta de disciplina — é o seu cérebro pedindo equilíbrio. E ele pode ser alcançado, um bom sono por vez.
